domingo, 7 de maio de 2017

PEC 287 faz millennials a pensarem sobre o futuro

Carol Salgueiro
Na quarta-feira (3), foi aprovada na comissão da Câmara de Deputados a reforma da Previdência, uma das bandeiras do governo Temer. Esta foi a primeira etapa para que ela passe novamente pelo plenário da Câmara e, em seguida, pelo Senado, para que possa ser sancionada como lei e mude o futuro dos jovens. A Proposta de Emenda à Constituição 287, também conhecida como PEC da Reforma da Previdência, está em tramitação no congresso nacional. Por um lado, ela ainda é motivo de dúvidas entre os trabalhadores, porém, do outro lado Governo alega que esta reforma é necessária para o equilíbrio das contas públicas.


Esse desequilíbrio aconteceu devido ao aumento da expectativa de vida dos brasileiro que fez com que o aumentasse o número da população de idosos e o número de os jovens, que sustentam o regime, diminuísse. Com a reforma da previdência, a idade para se aposentar será de 65 anos para homens e mulheres. O tempo mínimo de contribuição com o INSS também será alterado: passa de 15 anos para 25 anos. O economista Alessandro Borges afirmou que a reforma é necessária, uma vez que o Brasil passa um período de déficit econômico. “Trazendo as contas do governo para o equilíbrio, o mercado atua melhor e o governo tem mais fôlego para investir,” explicou. 

O governo pretende mexer no cálculo para o trabalhador contribuir por mais tempo, com esta PEC o cálculo será com base em 51% das melhores contribuições mais um ponto percentual a cada ano pago. Logo, para se aposentar com 100% do benefício, será preciso contribuir por 49 anos. Os policiais militares e os bombeiros terão regimes especiais de aposentadoria e não farão parte deste cálculo. Além disso, eles poderão acumular pensões e aposentadorias. Caso que não irá acontecer com o contribuidor comum, uma vez que esse não poderá acumular pensões. 

Outras mudanças também estão inclusas nesta PEC, como a pensão por morte, hoje integral, que deve ser reduzida para 50% mais 10% por dependente e pensões por morte e benefícios assistenciais, que incluem idosos ou deficientes de baixa renda, serão desvinculados do reajuste do salário mínimo. Esses benefícios só serão reajustados pela inflação, ou seja, não terão ganhos reais. Os trabalhadores das zonas rurais também serão afetados com a PEC 287. “Os trabalhadores rurais não contribuem com a previdência e quando eles atingem a idade mínima, 55 anos para mulheres e 60 para homem, eles já podem se aposentar com um salário mínimo. O governo quer trazer a idade mínima para 65, unificar com os demais trabalhadores urbanos e fazer com que ele (trabalhador rural) contribua por 25 anos com 5% do valor do salário mínimo,” explica Alessandro. 

Com essas alterações que estão em discussão, um público específico tem pensado bastante na aposentadoria: os jovens. Também conhecidos como millennials, ou geração Y, esses jovens são os que nasceram entre os anos de 1980 e 2000. Essa geração que enfrenta a primeira crise no cenário nacional, agora também está tendo que se preocupar com as mudanças na previdência. Bruno Volpato, estudante de Engenharia Mecânica, de 23 anos acredita que independente desta situação, é importante ter algum outro tipo de investimento, como a previdência privada, a fim de ter uma reserva de dinheiro. “Acho que nunca a aposentadoria do INSS foi suficiente para ninguém sobreviver com o mesmo padrão de vida,” disse Bruno. 

Segundo uma pesquisa feita pela BNY Mellon em conjunto com a Universidade de Oxford, apenas 32% dos jovens acreditam que somente a aposentadoria do INSS irá lhes garantir o futuro. E para aqueles que desejam investir, poupança, previdência privada, tesouro direto, bolsa de valores e a compra de moeda estrangeira são algumas opções para os jovens que buscam investir para o futuro. Bruno também enxerga essa crise brasileira como uma chance de oportunidades para investimentos. “No momento, o que está ao meu alcance fazer é me preparar, melhorar o currículo, praticar outras línguas e também guardar um pouco de dinheiro, para que eu possa desde já começar a ver algum terreno para comprar em que eu possa construir uma casa para alugar,” explana Bruno. 

No entanto, não são todos os jovens que podem investir no momento. Thalyta Venancio, gastrônoma de 26 anos, afirma que está difícil encontrar emprego e com a inflação alta não é possível realizar investimentos. “No momento não tem como eu investir, estou desempregada e eu também não tenho condições para investir em uma poupança, mas sei que isso pode me prejudicar no futuro” explicou Thalyta. Uma grande parcela dos brasileiros não estão satisfeitos com essas alterações na previdência pública. No último dia 28 de abril, uma greve geral foi deflagrada em todo o país e trabalhadores de diversos setores não exerceram suas atividades a fim de apoiar o movimento contra a reforma da previdência. 

Ainda não existe uma data para que as novas regras entrem em vigor, uma vez que é preciso que a PEC seja aprovada em dois turnos no Plenário da Câmara e, em seguida, seja aprovada, também em dois turnos, no Senado. Se não houver alterações no Senado, a reforma da previdência passa a valer como lei federal. 


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